45 mil veículos de baixa emissão de gases poluentes estão rodando nas ruas do Brasil

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Em entrevista exclusiva ao Portal, Adalberto Maluf, Presidente da ABVE fala sobre o crescimento da mobilidade elétrica no Brasil e sobre países de referência nesse setor.

CANAL MOVE: Qual o papel da ABVE hoje para o setor de veículos elétricos, e quantos anos tem a entidade?

RESPOSTA: A ABVE representa toda a cadeia produtiva da eletromobilidade no Brasil. Foi fundada em 2006 e celebrará 15 anos em agosto deste ano. A força da ABVE está na amplitude de sua representatividade e na consistência de suas propostas. Defendemos políticas públicas nos três níveis de governo e iniciativas empresariais de incentivo à mobilidade elétrica. A ABVE não trabalha por um segmento específico, mas sim para desenvolver todo o ecossistema de inovação para a eletromobilidade e a mobilidade sustentável crescerem no Brasil, que ajudaria nossos associados, mas principalmente a economia e o meio ambiente urbano de todos nós.
Somos uma entidade que reúne grandes montadoras de automóveis e ônibus e pequenas empresas de comercialização de e-bikes e e-patinetes; de indústrias de capital nacional e de capital estrangeiro à empresas estatais e privadas de distribuição de energia, empresas de geração distribuída e fontes renováveis. Desde fabricantes de componentes, infraestrutura às soluções inovadoras da economia do futuro. Nesse sentido, somos uma entidade única no Brasil.

CANAL MOVE: Nos dê uma visão de como está atualmente o setor de mobilidade elétrica e veículos elétricos no Brasil?

RESPOSTA: Podemos ver o copo meio cheio ou meio vazio. O ano passado foi o melhor ano da mobilidade elétrica no Brasil. Emplacamos 19.745 veículos eletrificados, que incluem os híbridos convencionais (HEV), os híbridos plug-in (PHEV) e os elétricos à bateria (BEV). Foi um crescimento de 66% em relação a 2019, mesmo com a Covid-19. O crescimento foi na contramão do mercado nacional de autos e comerciais leves convencional, que caiu 26% no mesmo período. E quase metade das vendas foram de híbridos flex, demonstrando a enorme sinergia entre a mobilidade elétrica e os biocombustíveis.

Temos hoje mais de 45 mil veículos de baixa emissão rodando nas ruas do país e chegamos pela primeira vez a 1% das vendas no ano de 2020. Foi um avanço importante. No entanto, ainda é pouco se comparados com o resto do mundo, onde as vendas crescem mais rápido com os diferentes apoios governamentais. Na China há 4,7 milhões de VEs rodando (BEV e PHEV), na Europa mais de 3,3 milhões, nos Estados Unidos quase 1,8 milhão. Só na Califórnia já são mais de 800 mil. Na Noruega, que é um país com população menor do que a cidade de São Paulo, quase 500 mil em operação. A eletrificação do transporte é uma realidade nos principais países. E o Brasil está ficando para trás.

No transporte público, a situação é também preocupante. As poucas leis existentes para a eletrificação das frotas de ônibus ainda enfrentam dificuldades para serem implementadas. No Brasil todo, rodam hoje cerca de 350 ônibus elétricos, sendo a maioria os trólebus fabricados há muitos anos. Em 2018, a Prefeitura de São Paulo aprovou a importante lei 16.802, chamada da lei dos combustíveis limpos, que determina a conversão de toda a frota de ônibus municipais (14.400 veículos) em 20 anos. É uma lei que pode virar referência para todo o país.

Na América Latina, países como Chile, Colômbia e Uruguai estão muito mais avançados do que o Brasil no transporte público de emissão zero. Durante décadas, a indústria brasileira liderou as exortações para o mercado de veículos, chassis e carrocerias de ônibus para toda a América Latina. Hoje, muitos dos novos ônibus com maior tecnologia, como os elétricos, são importados da China. A indústria brasileira perdeu espaço porque não tem incentivo à eletrificação e ainda não tem um mercado consumidor. Precisamos reverter essa triste realidade de desindustrialização e de falta de competitividade da nossa indústria.

Por fim, existem alguns avanços em andamento. Hoje temos no Brasil cerca de 500 postos de recarga elétrica públicos e semipúblicos, instalados por empresas associadas como a Copel, EDP e Enel, bem como montadoras como Audi, Porsche, Renault, BYD e outras. É um bom número, se considerarmos que o total de veículos 100% elétrico (BEV) rodando no país gira em torno de apenas 2.000 unidades. Outro avanço importante é o crescimento vigoroso da geração de energia solar e eólica. A matriz elétrica brasileira, que já é muito limpa e renovável, já dispõe de contratos de energia renovável barata para recarregar os veículos à noite ou de operações de geração distribuída própria. Poucos países do mundo têm um cenário tão privilegiado e promissor nessa integração da mobilidade com a energia renovável. Na prática, não faltará eletricidade limpa para eletrificar o transporte no Brasil.

CANAL MOVE: Quais os países referência em tecnologias e também em frota elétrica, e o que podemos aprender com esses cases de sucesso?

RESPOSTA: Podemos dar dois exemplos. O primeiro da China, o país mais populoso do mundo. O governo chinês fez uma aposta vigorosa em não ser dependente de combustível fóssil, importado, ao mesmo tempo em que queria reduzir a poluição e criar a indústria do futuro. Em pouco tempo, criou a maior indústria e o maior mercado de transporte elétrico do mundo. Hoje, rodam no país mais de 4,7 milhões de veículos elétricos, sendo mais de 500 mil ônibus elétricos (90% do total) e algumas centenas de milhões de elétricos levíssimos, como e-bikes, motos e scooters. O outro exemplo é a Noruega, um país que tem menos da metade da população da cidade de São Paulo, mas no ano passado, 74% de todas as vendas de automóveis e comerciais leves da Noruega foram de elétricos. E as vendas em janeiro de 2021 já superam os 80% do total.

Em 2025, o país vai abolir as vendas de novos veículos à combustão. No fim de 2020, havia 498 mil veículos elétricos (BEV e híbridos plug-in) rodando no país – uma para cada grupo de dez habitantes! Esses números impressionantes são o resultado de políticas firmes e coerentes, de longo prazo, impulsionadas pelas máximas lideranças nacionais ao longo de diferentes governos, e integradas aos governos subnacionais, como estados e prefeituras. Mas acima de tudo está a visão estratégica de que o mundo do combustível fóssil está no fim e que os países têm de se preparar para a economia global descarbonizada. Infelizmente, essa visão ainda não está clara no Brasil.

CANAL MOVE: Políticas públicas inteligentes e focadas, além de incentivos são algo esperado por toda a cadeia produtiva do setor MOVE hoje. Como estão esses 2 temas?

RESPOSTA: Temos algumas políticas localizadas feitas por governos subnacionais, mas pouca coordenação e articulação entre as diferentes esferas de poder. No Brasil, ainda é muito baixa a articulação entre a academia, a indústria e o poder público, o que inibe um ecossistema de inovação amplo no setor. Alguns estados e cidades já aprovação legislações de incentivos, como isenção de rodízio ou de IPVA para veículos elétrico e híbridos, ou de infraestrutura de recarga ou de zonas de baixa emissão, mas ainda estamos muito longe se comparados com o resto do mundo. No plano federal, a única iniciativa importante é a Plataforma Nacional da Mobilidade Elétrica (PNME), que reúne associações empresariais, acadêmicos e técnicos de diferentes ministérios para debater soluções, iniciativas e projetos para um programa nacional de eletromobilidade.

Ao mesmo tempo, a ABVE tem plena consciência das dificuldades fiscais que todos os governos enfrentam pelo Brasil. Por isso a ABVE não defende novas isenções de impostos para os VEs, e sim isonomia e equiparação de alíquotas com os similares à combustível fóssil. Não faz sentido que a maioria dos veículo com motor à combustão paguem só 7% de IPI, enquanto a maioria dos elétrico ou híbrido pague entre 8% a 18%, mesmo tendo maior eficiência energética e menor emissão de poluentes. A ABVE trabalha com uma agenda de incentivos não tributários, como por exemplo: 1-políticas de substituição de frotas governamentais antigas por frotas elétricas; 2-leis mais rígidas de combate à poluição do ar nas cidades; 3-regulamentos menos burocráticos para instalar eletropostos públicos e nos condomínios residenciais; 4-eletrificação das frotas dos serviços de compartilhamento. Tudo isso é possível sem obrigatoriamente mexer nos impostos.

CANAL MOVE: Como você imagina o setor move em 05 anos no brasil?

RESPOSTA: Acho que estamos no limiar de uma grande revolução tecnológica. Na verdade ela já começou lá fora. Na China, Europa, Índia e em pelo menos 30 estados americanos, o caminho no rumo da economia de baixo carbono e a mobilidade elétrica já está sendo percorrido. Agora, com a eleição do Joe Biden, a agenda global de transição a uma economia de baixo carbono volta com mais força ainda. É só ver os números de vendas na Europa após a aprovação do novo Green Deal do continente em 2020. A porcentagem de vendas saltou de 3% para 11% do total, sendo que em dezembro de 2020, as vendas foram de 23%. Em poucos meses, a economia europeia já se adaptou ao nosso normal pós COVID da economia verde.

O Brasil não pode mais perder tempo, sob pena de ver sua indústria ficar obsoleta, pouco competitiva. A demora em criar uma política industrial em prol da mobilidade elétrica poderá acelerar a desindustrialização do país a um ponto irreversível. Queremos isso para o Brasil? Não tenhamos ilusões. Os atuais 14 milhões de desempregados não serão absorvidos pelo agronegócio ou pelas exportações de minérios. Se não criarmos hoje as bases para a indústria do futuro e as cidades inteligentes, não serão criados no Brasil os empregos do futuro. Podemos ter um cenário muito otimista para os próximos 5 anos, mas ainda carecemos de articulação governamental para essa complexa missão. Mas se elas não forem tomadas logo, corremos o risco de continuar no fim da fila do desenvolvimento econômico mundial.

Fonte: Eólica BR
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FÓRUM GD SUDESTE - 9º FÓRUM DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA COM FONTES RENOVÁVEIS E ENERGIA SOLAR FOTOVOLTAICA

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16 e 17 DE JUNHO DE 2021
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CANAL MOVE: Quais os países referência em tecnologias e também em frota elétrica, e o que podemos aprender com esses cases de sucesso?

RESPOSTA: Podemos dar dois exemplos. O primeiro da China, o país mais populoso do mundo. O governo chinês fez uma aposta vigorosa em não ser dependente de combustível fóssil, importado, ao mesmo tempo em que queria reduzir a poluição e criar a indústria do futuro. Em pouco tempo, criou a maior indústria e o maior mercado de transporte elétrico do mundo. Hoje, rodam no país mais de 4,7 milhões de veículos elétricos, sendo mais de 500 mil ônibus elétricos (90% do total) e algumas centenas de milhões de elétricos levíssimos, como e-bikes, motos e scooters. O outro exemplo é a Noruega, um país que tem menos da metade da população da cidade de São Paulo, mas no ano passado, 74% de todas as vendas de automóveis e comerciais leves da Noruega foram de elétricos. E as vendas em janeiro de 2021 já superam os 80% do total.

Em 2025, o país vai abolir as vendas de novos veículos à combustão. No fim de 2020, havia 498 mil veículos elétricos (BEV e híbridos plug-in) rodando no país – uma para cada grupo de dez habitantes! Esses números impressionantes são o resultado de políticas firmes e coerentes, de longo prazo, impulsionadas pelas máximas lideranças nacionais ao longo de diferentes governos, e integradas aos governos subnacionais, como estados e prefeituras. Mas acima de tudo está a visão estratégica de que o mundo do combustível fóssil está no fim e que os países têm de se preparar para a economia global descarbonizada. Infelizmente, essa visão ainda não está clara no Brasil.

CANAL MOVE: Políticas públicas inteligentes e focadas, além de incentivos são algo esperado por toda a cadeia produtiva do setor MOVE hoje. Como estão esses 2 temas?

RESPOSTA: Temos algumas políticas localizadas feitas por governos subnacionais, mas pouca coordenação e articulação entre as diferentes esferas de poder. No Brasil, ainda é muito baixa a articulação entre a academia, a indústria e o poder público, o que inibe um ecossistema de inovação amplo no setor. Alguns estados e cidades já aprovação legislações de incentivos, como isenção de rodízio ou de IPVA para veículos elétrico e híbridos, ou de infraestrutura de recarga ou de zonas de baixa emissão, mas ainda estamos muito longe se comparados com o resto do mundo. No plano federal, a única iniciativa importante é a Plataforma Nacional da Mobilidade Elétrica (PNME), que reúne associações empresariais, acadêmicos e técnicos de diferentes ministérios para debater soluções, iniciativas e projetos para um programa nacional de eletromobilidade.

Ao mesmo tempo, a ABVE tem plena consciência das dificuldades fiscais que todos os governos enfrentam pelo Brasil. Por isso a ABVE não defende novas isenções de impostos para os VEs, e sim isonomia e equiparação de alíquotas com os similares à combustível fóssil. Não faz sentido que a maioria dos veículo com motor à combustão paguem só 7% de IPI, enquanto a maioria dos elétrico ou híbrido pague entre 8% a 18%, mesmo tendo maior eficiência energética e menor emissão de poluentes. A ABVE trabalha com uma agenda de incentivos não tributários, como por exemplo: 1-políticas de substituição de frotas governamentais antigas por frotas elétricas; 2-leis mais rígidas de combate à poluição do ar nas cidades; 3-regulamentos menos burocráticos para instalar eletropostos públicos e nos condomínios residenciais; 4-eletrificação das frotas dos serviços de compartilhamento. Tudo isso é possível sem obrigatoriamente mexer nos impostos.

CANAL MOVE: Como você imagina o setor move em 05 anos no brasil?

RESPOSTA: Acho que estamos no limiar de uma grande revolução tecnológica. Na verdade ela já começou lá fora. Na China, Europa, Índia e em pelo menos 30 estados americanos, o caminho no rumo da economia de baixo carbono e a mobilidade elétrica já está sendo percorrido. Agora, com a eleição do Joe Biden, a agenda global de transição a uma economia de baixo carbono volta com mais força ainda. É só ver os números de vendas na Europa após a aprovação do novo Green Deal do continente em 2020. A porcentagem de vendas saltou de 3% para 11% do total, sendo que em dezembro de 2020, as vendas foram de 23%. Em poucos meses, a economia europeia já se adaptou ao nosso normal pós COVID da economia verde.

O Brasil não pode mais perder tempo, sob pena de ver sua indústria ficar obsoleta, pouco competitiva. A demora em criar uma política industrial em prol da mobilidade elétrica poderá acelerar a desindustrialização do país a um ponto irreversível. Queremos isso para o Brasil? Não tenhamos ilusões. Os atuais 14 milhões de desempregados não serão absorvidos pelo agronegócio ou pelas exportações de minérios. Se não criarmos hoje as bases para a indústria do futuro e as cidades inteligentes, não serão criados no Brasil os empregos do futuro. Podemos ter um cenário muito otimista para os próximos 5 anos, mas ainda carecemos de articulação governamental para essa complexa missão. Mas se elas não forem tomadas logo, corremos o risco de continuar no fim da fila do desenvolvimento econômico mundial.

Fonte: Eólica BR
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