U$$ 1,7 trilhão foram investidos em energias renováveis em 2023, diz relatório

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Documento divulgado pela Bloomberg Nef pontua que economia de baixo carbono está avançando de forma expressiva e que fontes eólicas, solares, hidrogênio verde e veículos elétricos se mostram bastante positivos

Os investimentos globais na transição para uma energia de baixo carbono, ou seja, de energias renováveis, aumentaram 17% em 2023, assim como alcançaram a marca de 1,77 trilhão de dólares, conforme indicado pelo Energy Transition Investment Trends 2024, um relatório divulgado pela BloombergNEF (BNEF) no final de janeiro.

Segundo os especialistas do documento, os valores apresentados representa um novo recorde anual de investimento, destacando a resiliência da transição para fontes de energia limpa em meio a turbulências geopolíticas, taxas de juros elevadas e aumento nos custos inflacionários.

O relatório destaca que o setor de transportes eletrificados se tornou o principal foco de gastos na transição energética, registrando um crescimento notável de 36% em 2023, totalizando 634 bilhões de dólares. Além disso, fontes eólicas e solares também se mostraram promissoras, principalmente quando englobam a tecnologia de armazenamento de energia.

O investimento na cadeia global de fornecimento de energia limpa, incluindo fábricas de equipamentos e produção de metais para baterias para tecnologias energéticas, atingiu um novo recorde de 135 mil milhões de dólares em 2023 (contra apenas 46 mil milhões de dólares em 2020), e deverá aumentar ainda mais nos próximos dois anos, segundo os documentos. Além disso, áreas emergentes como hidrogênio (com investimento triplicando ano após ano), captura e armazenamento de carbono (quase duplicando) e armazenamento de energia (com aumento de 76%) também apresentaram forte crescimento.

Em nota, Meredith Attachment, Chefe de Energia Limpa da BNEF e coautora do relatório, pontua que novos recordes foram estabelecidos, principalmente na Europa.

"O ano passado trouxe novos recordes para o investimento global em energia renovável. O forte crescimento nos EUA e na Europa impulsionou a ascensão global, mesmo com a China, o maior mercado mundial de energias renováveis, a falhar, registando uma queda de 11%. Apesar de um ano de manchetes difíceis, uma quantidade recorde de capacidade eólica offshore também atingiu o fechamento financeiro”, explica a especialista.

O relatório pontua ainda que dentre os mercados em franco crescimento para fontes renováveis envolvem a China, com 676 mil milhões de dólares investidos em 2023 – o equivalente a 38% do total global. Contudo, além dela, a União Europeia, os EUA e o Reino Unido também surpreenderam com as fontes mais limpas.

"Embora a China continue dominante, a sua liderança foi reduzida. Em conjunto, a União Europeia, os EUA e o Reino Unido ultrapassaram a China com 718 mil milhões de dólares em investimento – um feito que não conseguiram alcançar em 2022. O investimento nos EUA aumentou 22% em termos anuais, para 303 mil milhões de dólares, à medida que os efeitos da Lei de Redução da Inflação começou a ser sentida" explica o documento.

Contudo, em meio aos bons investimentos em energias limpas do mundo, o relatório da Bloomberg também foi enfático em pontuar que o nível atual de investimentos não é suficiente para colocar o mundo no caminho certo para a neutralidade carbônica até meados do século. Isso porque segundo o relatório, o investimento na transição energética precisaria de uma média de 4,8 biliões de dólares por ano, de 2024 a 2030, para se alinhar com o Cenário Net Zero da BNEF, uma trajetória alinhada pelo Acordo de Paris a partir das Novas Perspectivas Energéticas de 2022. Isto é quase três vezes o investimento total observado em 2023, segundo a instituição.

Quem também comentou o assunto foi lbert Cheung, Vice-CEO da BNEF. Na ocasião, ele pontua que para se alcançar as metas ainda serão necessários muitos esforços globais.

"O nosso relatório mostra a rapidez com que as oportunidades de energia limpa estão a crescer e, no entanto, o quão longe ainda estamos. Os gastos com investimentos na transição energética cresceram 17% no ano passado, mas precisam crescer mais de 170% se quisermos chegar ao zero líquido nos próximos anos. Só uma ação determinada por parte dos decisores políticos pode desbloquear este tipo de mudança radical" finaliza.

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